Mercado reduz projeção de inflação para 5,15% em 2026 e expectativa de corte nos juros ganha força antes da reunião do Copom marcada para 4 e 5 de agosto
Quem acompanha as contas do próprio bolso já deve ter se perguntado: os juros finalmente vão começar a cair, e isso significa que o crédito vai ficar mais barato em breve? O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira, 20 de julho, traz sinais nessa direção, embora ainda sem garantias definitivas. O relatório, que reúne as projeções de instituições financeiras consultadas semanalmente pelo BC, mostrou uma nova redução na expectativa de inflação para este ano e reforçou a possibilidade de a Selic cair ainda em 2026. Ao mesmo tempo, um levantamento da Fundação Getulio Vargas mostrou que a economia voltou a crescer em maio, puxada pelo consumo das famílias. A seguir, entenda o que esses números significam na prática e o que ainda pode mudar até o fim do ano.
O que o Boletim Focus revelou sobre inflação e juros
Segundo o Boletim Focus, o mercado financeiro projeta que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, deve fechar 2026 em 5,15%. Uma semana antes, a expectativa era de 5,16%, e quatro semanas atrás, de 5,33%, o que mostra uma trajetória de queda gradual nas projeções. Para os anos seguintes, o relatório também aponta um cenário de acomodação: a inflação esperada para 2027 é de 4,20%, e para 2028, de 3,78%. Agência Brasilebc
Já em relação à taxa Selic, o relatório trouxe uma informação relevante para quem tem financiamentos, empréstimos ou pretende fazer alguma compra parcelada nos próximos meses. De acordo com o Banco Central, a projeção da Selic para 2026 se manteve em 14% pela quarta semana consecutiva, enquanto a taxa atual, definida pelo Copom em 17 de junho, está em 14,25%. Isso indica a expectativa de pelo menos uma redução na taxa básica de juros até o fim do ano. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária está marcada para os dias 4 e 5 de agosto, data que deve concentrar boa parte das atenções do mercado financeiro nas próximas semanas. Vale lembrar que, entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic chegou a ficar em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006, após uma sequência de sete altas consecutivas entre setembro de 2024 e junho de 2025. A expectativa de queda, portanto, marca uma possível virada de ciclo depois de um longo período de juros elevados. ebc
Por que a queda da Selic interessa diretamente ao consumidor
Entender a lógica por trás da Selic ajuda a explicar por que esse número é acompanhado tão de perto por quem lida com o orçamento doméstico. Como explica a própria Agência Brasil, quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, o que incentiva a produção e o consumo no país e acaba estimulando a atividade econômica como um todo. Por outro lado, créditos mais baratos tendem a aumentar as pressões inflacionárias, segundo especialistas consultados pelo próprio Banco Central para a elaboração do boletim. ebc
O raciocínio inverso também vale: quando a Selic sobe, o crédito fica mais caro, o que estimula as pessoas a aplicarem recursos em poupança ou renda fixa em vez de consumir, e taxas de juros mais altas acabam dificultando a expansão da economia justamente por desestimularem o consumo. Esse é o principal motivo pelo qual a expectativa de corte na Selic costuma ser recebida como uma notícia positiva por quem tem dívidas, financiamento de imóvel ou cartão de crédito, ainda que o efeito prático nas taxas cobradas pelos bancos dependa também de outros fatores, como risco de inadimplência e despesas administrativas de cada instituição financeira. As projeções para o câmbio, por sua vez, seguem estáveis há cinco semanas, com o dólar previsto em R$ 5,20 até o fim de 2026, segundo o mesmo boletim, o que reduz um pouco a pressão sobre os preços de produtos importados no curto prazo. ebc
O que os dados de crescimento do PIB mostram sobre a economia real
Enquanto o Boletim Focus trata de expectativas futuras, outro levantamento divulgado na mesma segunda-feira ajuda a entender o que já está acontecendo na economia. De acordo com o Monitor do PIB, estudo mensal do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, a economia brasileira cresceu 0,7% na passagem de abril para maio, resultado que retoma a trajetória positiva depois de um recuo de 0,1% em abril e estabilidade em março. No acumulado de 12 meses, a alta ficou em 1,7%. ebc
Por trás desse resultado está principalmente o consumo das famílias, que, segundo a fundação, cresceu 3,3% no trimestre até maio, o maior patamar desde o quarto trimestre de 2024, com mais de 60% desse avanço vindo do consumo de serviços e bens duráveis. A economista Juliana Trece, responsável pela pesquisa, avalia que embora a economia continue crescendo, esse crescimento apoiado quase inteiramente no consumo das famílias revela algumas fragilidades, já que outros componentes, como exportações e investimentos, mostraram desempenho mais fraco no período. Segundo o levantamento, as exportações cresceram apenas 4,3%, o menor ritmo desde o segundo trimestre de 2025, puxado principalmente pela desaceleração nas exportações da indústria extrativa mineral. Já as importações mantiveram o ritmo de alta pelo terceiro trimestre móvel seguido, o que indica uma demanda interna ainda aquecida, mesmo em um cenário de juros historicamente altos. ebcebc
O conjunto dos dados divulgados nesta segunda-feira mostra um cenário econômico que caminha, ainda que de forma gradual, para alguma melhora nos indicadores de inflação e juros, sem deixar de lado sinais de que o crescimento segue concentrado em poucas frentes, especialmente no consumo das famílias. Para quem planeja o orçamento nos próximos meses, o mais indicado é acompanhar de perto a reunião do Copom marcada para o início de agosto, já que qualquer sinalização de corte na Selic tende a impactar diretamente o custo do crédito, dos financiamentos e das parcelas no cartão. Até lá, os próximos boletins semanais do Banco Central devem seguir servindo como principal termômetro para entender se essa trajetória de queda na inflação vai se confirmar até o fim do ano.
Fontes: Agência Brasil | Agência Brasil