A partir do que esclarece o empresário Tiago Oliva Schietti, um levantamento recente da Kantar Brasil, encomendado pela Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), mostrou que quase metade dos consumidores de consórcio no país pertence à faixa de 18 a 29 anos, um dado que revela uma mudança de comportamento que vai muito além da busca por crédito mais barato.
Historicamente, o consórcio era associado a um público mais maduro, disposto a esperar meses ou anos pela contemplação em troca de um custo menor. A entrada em peso da Geração Z nesse mercado inverte parte dessa lógica: para esses consumidores, a modalidade não é apenas uma alternativa financeira, mas parte de uma estratégia mais ampla de planejamento e construção de patrimônio.
Menos impulso, mais pesquisa
Dados de administradoras do setor mostram a intensidade dessa mudança: em uma delas, a participação de clientes com menos de 30 anos nas novas adesões passou de cerca de 2% em 2015 para quase 16% em 2026. Em outra, esse público saltou de aproximadamente um quarto para mais de 40% da base de novos consorciados em apenas um ano.
Nesse sentido, Tiago Oliva Schietti informa que esse movimento acompanha uma característica mais geral da Geração Z: a pesquisa extensiva antes de qualquer decisão financeira relevante. Diferentemente de gerações anteriores, que muitas vezes recorriam ao financiamento tradicional por ser a opção mais conhecida, os jovens consumidores atuais comparam alternativas, avaliam o custo total de cada modalidade e questionam mais antes de assinar qualquer contrato.

Carro continua no topo, mas a lista de objetivos mudou
Entre os jovens que aderem ao consórcio, o automóvel ainda lidera as adesões, mas já divide espaço com imóveis e motocicletas de forma mais equilibrada do que ocorria há alguns anos. Esse padrão sugere que a Geração Z não está apenas substituindo o financiamento do carro pelo consórcio, mas também usando a modalidade para outros projetos de vida, como a compra do primeiro imóvel, uma meta que, para esse público, costuma vir acompanhada de um planejamento de médio prazo mais estruturado do que a compra do veículo, na avaliação de Tiago Oliva Schietti.
Confiança pesa tanto quanto o valor da parcela
Outro dado relevante de pesquisas recentes do setor é que, para o público mais informado sobre o funcionamento do consórcio, a credibilidade da administradora se tornou tão importante quanto o valor da parcela na hora de decidir. Isso significa que, quanto mais o consumidor entende como o sistema funciona, menos ele se guia apenas pelo preço anunciado e mais passa a considerar fatores como solidez da empresa, histórico de atendimento e transparência nas informações.
O empresário pondera que esse amadurecimento é, em certa medida, resultado do próprio ambiente em que a Geração Z cresceu: com acesso constante à informação e ferramentas de comparação, esses consumidores desenvolveram um hábito de pesquisa mais aprofundado antes de decisões financeiras relevantes, o que os torna menos suscetíveis a promessas exageradas.
O que isso significa para quem está pensando em aderir?
Para qualquer consumidor, independentemente da idade, a lição por trás desse movimento é a mesma: comparar administradoras, entender as regras de contemplação e taxa de administração, e avaliar se o prazo do grupo é compatível com o próprio planejamento continuam sendo passos indispensáveis antes de assumir uma cota.
Em suma, Tiago Oliva Schietti reforça que o crescimento da participação jovem no sistema de consórcios é um sinal positivo de amadurecimento financeiro, mas isso não substitui a necessidade de análise individual. Cada situação patrimonial é diferente, e contar com a orientação de um profissional especializado continua sendo o caminho mais seguro antes de qualquer decisão de crédito.